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Defender as populações e o meio ambiente!

(português) Amigos do ICOR de Portugal, 7.11.17

Os incêndios são um crime contra a vida das populações e um desastre ambiental


Como o fogo continua a lavrar pelas nossas florestas, torna-se imperativo falar e enfrentar esta realidade que se tem demonstrado de forma tão violenta e trágica.

 

O facto de chegarmos a este ponto, é o reflexo das políticas que o PS, PSD e CDS enquanto governos desenvolveram. A absolvição destas responsabilidades não se pode fazer, pois este resultado provém de premeditação e até, como se viu na moção de censura apresentada pelo CDS ao Governo, de instrumentalização das vítimas das tragédias, usando-as como arremesso politico.

 

A liberalização abusiva do eucalipto, pela então ministra da agricultura Assunção Cristas, em 2013 fez com que 92% dos novos projectos pela reflorestação fossem de eucalipto, sendo de 77% no ano de 2015.

 

Estes sucessivos governos alimentaram as chamas com a destruição da pequena agricultura, com a florestação de terras agrícolas da PAC (Política Agrícola Comum da União Europeia), que é nociva, que determina a obliteração da agricultura de sobrevivência e da agricultura familiar, resultando inevitavelmente na ruína do mundo rural e, inevitavelmente, nos terríveis incêndios.

 

O Desmantelamento do ICNF de meios humanos e financeiros para poder averiguar os projectos florestais, permitiu a solidificação de uma carcaça que é explorada por empresas de gestão Florestal sem escrúpulos, como é o caso da ALTRI, e os cortes na Protecção Civil com o desmantelamento dos serviços públicos, sob o pretexto de Estado-Mínimo, apenas aumentam os lucros dos monopólios, particularmente o da celulose.

 

A ideia de criar cadastros, de entidades de gestão florestal, da bolsa de terras e dos fundos de mobilização de terras, serve apenas para alimentar os interesses da máfia das fileiras florestais, pois o pequeno agricultor não vai ter capacidade económica, nem infelizmente, associativa.

 

Os fundos imobiliários florestais, como a empresa Floresta-Atlântica, vão mandar nas futuras entidades de gestão florestal e, para colmatar, foi agora nomeado o Tiago Oliveira para implementar o modelo de prevenção e combate aos incêndios florestais, uma pessoa do grupo NAVIGATOR, Ex-PORTUCEL, que tem um interesse mais do que directo na nossa floresta!

 

De entre toda esta cortina de fumo, encontra-se o grande culpado que é, materialmente, a Indústria Monopolista da Celulose.

 

É o lucro máximo destes monopólios que determina que, as leis, o estado, e as ideias que se difundem não sejam elementos imparciais, mas que trabalhem ao serviço da infraestrutura económica, tendo sido esta que transformou Portugal numa sua coutada. Estes monopólios, que dominam a agricultura desde os finais dos anos 70, mandam nas políticas florestais, o resto são variações sobre o tema.

A riqueza destes monopólios é feita à custa de preços miseráveis na compra de madeira pelas fábricas, fomentando a expulsão do pequeno agricultor das terras, ocupando baldios com eucaliptos, destruindo-nos as terras permanentemente.

 

Só assim é que há milhares de hectares de monocultura de eucalipto, autênticas tochas carregadas de petróleo. Esse “petróleo verde” que era tão aclamado pelo reaccionário Cavaco Silva e o seu então ministro Mira Amaral (hoje CEO do Banco Bic e defensor da energia nuclear). Grande parte desta área foi espoliada e anexada como fizeram nos anos 80, tendo sido os camponeses tratados com fúria e fogo como no caso de Valpaços.

 

Sabemos que as 5 maiores empresas cotadas no PSI20 são do sector de transformação de madeira, das fileiras florestais. Estas têm benefícios fiscais em IRS e IRC e recebem milhões de euros do Estado, sendo um facto que a grande parte destas empresas nem sequer tem sede fiscal em Portugal, mostrando isto o poder do Capital Financeiro Internacional que governa o mundo. Estes “benefícios” em nada melhoram as condições de quem é explorado nesta Ditadura do Capital.

 

No capitalismo jamais teremos um bom e eficaz reordenamento da floresta nem leis que protejam as populações, porque todos os recursos estão a mercê da mais desenfreada exploração para beneficio das classes que dominam esses recursos, daí que todos estes representantes do estado burguês detêm a responsabilidade nesta crise incendiária pois, apesar das alterações climáticas serem certamente uma realidade científica material e estarem a aumentar o risco meteorológico de fogo, há que considerar a mão Capital.

 

Na sociedade capitalista decadente não há flora permanente nem fauna consistente, nem um povo que aguente! A História da humanidade é a História dos explorados e exploradores. Este sistema capitalista de exploração deve ser derrubado e substituído pelo sistema do socialismo verdadeiro.

Só com uma firme vontade de lutar por parte do proletariado organizado se pode destruir a propriedade privada capitalista dos meios de produção e estabelecer a propriedade social, tomando nas suas mãos a economia, adquirindo o controlo da base de toda a organização social.

 

Existem, a nível mundial, protestos pelo ambiente e nós apoiamos esses protestos. É necessário que a classe proletária reconheça o seu dever na luta para salvar o ambiente.

 

Fim à liberalização do cultivo do eucalipto. Redução dos eucaliptais existentes!

 

Reflorestação com árvores autóctones! Estabelecimento de Guardas Florestais!

 

7.11.2017 / seg.ed. 1.1.2018 amigosicorportugal@gmail.com

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